sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Política, subjetividade e filosofia!
Marketeiros de ambos os lados produziram suas “verdades”, difundidas por seus atores sem uma preocupação epistemológica com a continuidade histórico social dos últimos 40 anos. As redes sociais e diversos tipos de mídias nas quais essas “verdades” foram veiculadas, potencializaram a repetição por seus adoradores, fazendo com que eles exercessem a verbalização desses discursos com a consequente fixação desses “valores” em seu interior, possibilitando a eles vivenciarem o que eles pensam, de forma inequívoca, ser também a sua própria verdade.
A verdade passa a ser não uma conjunção de fatos e suas consequências sociais e individuais, mas uma pluralidade de sentimentos, o que é demonstrado de forma clara pela segurança com que ambos os lados antagônicos defendem suas posições.Talvez esse não seja o processo eleitoral de nossos sonhos, mas está demonstrando como essa produção de subjetividade é forte em nossa sociedade, e aqui não posso deixar de reconhecer que ambos os lados tiveram equipes muito bem preparadas, podendo fazer parte de qualquer programa do Discovery Chanel sobre técnicas de prestidigitação e ilusionismo.
A busca por governar implica em utilizar mecanismos e procedimentos destinados a conduzir os homens, a dirigir a conduta dos homens. Essa forma de poder manifesto a partir da criação da verdade (que lhe daria poder sobre os outros e também sobre si mesmo) acarreta uma produção de subjetividade na qual a verdade ganhará corpo e forma, e, ao mesmo tempo a expressão da subjetividade se dará sob forma de verdade.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Da inutilidade das coisas sem sentido! Ou não...
A inutilidade de objetos que, por fazerem total falte de sentido, em si só já o fazem.
Por que sentir é exatamente isso, descobrir algo onde "aparentemente" não existe nada.
Chego a uma idade em que limpar gavetas é profundamente necessário, seguir em frente, mas sempre deixando pistas.
Sim, é fundamental deixar pistas!
As gavetas se somam e se acumulam, e delas vão saindo Marias, Paulas, Betes, Claudias, Marcias, alguns postais, fotos rasgadas onde apareço até um pedaço do braço, num corte em formato de silhueta que nem lembro mais de quem era. Saem coisas, outras retornam, umas me fazem rir, outras me angustiam, me entristecem. Velhas ideias cheias de emoção, otimismo, poesia, amor.
Mais gavetas, cada uma com suas estórias, cada uma com seu sentido, ou falta dele, ou simplesmente sem nada significante, e significando tudo. Se está ali é por que faz sentido.
Queria mergulhar todos os dias nessas gavetas, reler as estórias, pensar em novos finais, reescrever o hoje com as letras que encontrar, criar uma colcha de retalhos de relíquias, beber na fonte de mim mesmo, encontrar os caminhos que perdi.
Mas o tempo é inexorável, e por ele as letras se apagam, tornando as mensagens indecifráveis, somente papéis de bombom e flores de papel, totalmente inúteis e cheias de todas as coisas sobre as quais realmente vale a pena escrever.
quarta-feira, 26 de março de 2014
E Veio a Chuva!
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Conspirações de um universo em expansão e a dicotomia dos astros.
Com certeza todos já se sentiram assim com relação a alguém, mas, algumas vezes ocorre que essa pessoa é uma pessoa especial em nossas vidas.
Nessas horas geralmente começam os desencontros do universo. Por que muitas vezes o que nós queremos e o que o universo quer, não são coisas exatamente coincidentes.
Mas há também os reencontros!
Momentos mágicos em parece que os mundos (o seu e o do outro) se deslocaram para ficarem um pouco mais próximos, as órbitas foram sutil e inconscientemente corrigidas, não são mais tão opostas como o sol e a lua, estão mais para Marte e Júpiter, que tem esperanças de momentos breves (no tempo do universo) em que podem ficar alinhados, ao menos da perspectivas dos admiradores desses incríveis segredos, que são o universo e o amor.
Sim, não se enganem, ambos são tão lindos como misteriosos, em intensidade, e, algumas vezes em tamanho.
Assim, até a portentosa madame que nos ilumina as noites e nos faz esticar nossa visão até um lugar muito além dela, um lugar tão distante que somente seu brilho consegue penetrar, tem seu dia de coadjuvante comparada às coisas incríveis que esses dois segredos podem realizar; um para o outro e um com o outro.
Mas ao contrário do dito popular, não são conspirações, são aspirações, quase suspiros indeléveis.
E assim como a dicotomia dos astros, algumas vezes só conseguimos enxergar metade daquele corpo, e ao contrário da dicotomia dos astros, não a metade que a luz nos mostra, mas a metade que queremos ver.
O amor possui essa faceta, a perspectiva de quem ama nem sempre é a imagem real, assim como a luz, que nos prega inúmeras peças dependendo do corpo em que incide, da temperatura ambiente e da retina de quem olha.
Mas nos reencontros, além do fato de já termos enxergado o lado escuro da dicotomia, temos também a correção das órbitas, a vontade de duas matérias feitas para ficarem juntas de se reunirem, em um só corpo, tão quente que chega a gerar luz própria, tão explosivo quanto uma supernova, tão perigoso quanto um buraco negro.
São leis imutáveis, não se luta contra elas, só o que podemos fazer, é deixar o magnetismo, a gravidade, a força centrípeta agirem e cuidar para que o universo tome seu curso, por que é isso que ele vai fazer.
"Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor nos invadiu.
Então
Veio a certeza de amar você."
Caetano Veloso
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Alma de Mestre!
Minha singela homenagem ao dia do mestre.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Luz, a teus pés.
A música pára.
Imagens que voavam elípticas,
Dissolvem-se em fina poeira, que rápido se dispersa.
sábado, 23 de junho de 2012
O paradoxo do momento, ou A arte do milésimo de segundo!
Assim começa "Retrato em Branco e Preto" de Chico Buarque e Tom Jobim. Há uma curiosidade sobre essa música, assisti uma entrevista de Tom certa vez, em que ele confidenciava que a letra original da música seria "Vou colecionar mais um tamanco, outro retrato em preto e branco...", mas aí alguém, que não me recordo se foi o próprio Chico, sugeriu a mudança para versão que foi gravada, acredito que todos os meus leitores conheçam. Mas não é esse o mote desse texto, e sim essa maravilhosa arte: A fotografia.
Uma amiga muito querida vem me ajudando a admirar essa arte, e conhecer alguns de seus segredos. Tenho ido à exposições, prestado atenção, e até me arrisco com algumas clicadas. Uma das exposições em que fui, justamente levado pelas mãos dela, de um fotógrafo Francês chamado Robert Doisneau, me revelou uma coisa fantástica: A fotografia é o paradoxo do momento!
Doisneau era um fotógrafo do cotidiano, vê-se claramente que a maior parte de suas fotos não são montadas, é o dia-a-dia normal, momentos que vemos às centenas todos os dias, mas que com o "olhar certo" transformam-se em arte.
Aquelas fotos contavam histórias, diziam muito sobre pessoas e coisas, tudo isso num milésimo de segundo...tempo suficiente para a luz penetrar a objetiva e causar a reação nos sais do filme. Como pode? Um momento tão rápido nos contar tanta coisa, fazer refletir, causar tanta admiração?
Algumas daquelas fotos me paralisaram, outras me hipnotizaram, outras vieram comigo, transformaram-se em reflexão.
Que todos veem o mundo de forma diferente, isso entendo, mas como alguém pode transformar momentos em arte, assim dessa forma, me deixou intrigado. Será que todos podemos também? Será que eu posso?
As fotos não falam, todos sabem disso, mas aquelas fotos diziam coisas sobre o passado, o presente, e, algumas, até sobre o futuro daquelas pessoas. Um paradoxo criado pelo artista, pois, como já disse, aquilo foi um milésimo de segundo.Não canso de me surpreender com a condição humana. O que podemos criar com nossas mentes, nossa criatividade, é fantástico. Fiquei feliz pela descoberta dessa "arte de olhar as coisas", e agora, sinceramente, vejo o mundo com outros olhos, percebendo que cada minuto pode se transformar em arte, e, quando não gosto muito do que vejo, mudo de ângulo. É um belo exercício para coração e alma!
Pense muito! Páre sempre! Olhe ao redor!
Você verá que tudo pode ser visto de mais de uma forma, pode ser a forma crua, ou você pode, simplesmente, transformar qualquer coisa em arte.
Obrigado, Letícia!
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Amar, de fato!
Amar; de fato,
Não é só sentimento,
É também um ato.
Um consentimento,
Um pressentimento,
Um arroubamento,
Muito além do tato.
A chance única,
De ver a alma
De quem nos abraça.
De tirar a túnica,
Despir-se com calma,
Diante desse enol
Que nunca se disfarça.
Que não dissimula,
Pois ninguém consegue
Distorcer a luz,
Que acalma e aquece.
Não ver a parte,
E sim o todo,
Ver o eu,
Dentro do outro.
Escrever em si,
Com o ego aberto;
“Amar:
É CERTO!”
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
João e Marias!
"Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo" 2.
Eu não!
Até tento não ser vil, mas às vezes a vilania toma o título em nossos atos mais sinceros e sem maldade. Como quando te apontam o dedo feito o cano fumegante de uma arma, mesmo sem saberem de ti; de qual nascente brotas.
Nunca mais apontei meu dedo em acusações iníquas. Apenas refletia tentando imaginar o que eu faria naquele lugar, mas logo percebi o quão sem sentido era isso também, simplesmente por que é impossível se colocar no lugar do outro. Exatamente por isso é que somos chamados assim: indivíduos. Sim, somos todos adjetivos.
Cada um é o que é, com sua essência, seu misto de físico e etéreo, seus momentos, sua humanidade.
Só um traço nos liga e andamos todos juntos de mãos dadas com ele: a inexorabilidade do tempo.
O que fiz eu então?
Aprendi a regar as plantas, a entender Marias e a colher reflexos de lua.
Marias são inefáveis, elas me dão suas essências em doses hahnemannianas pluricistas, para que talvez em seis bilhões de anos eu possa ter tido delas uma simples molécula, e é assim que as amo, exatamente dessa forma.
É cuspir ou beber: Eu sempre bebo.
Marias não precisam de desculpas, por que não precisam de culpas. São como Jasmins: Se você não quiser amá-los, não olhe pra eles. Marias são as vestes do homem nu, a água do sedento e o pão do faminto. Visto-as, sorvo-as e delas me alimento.
Marias necessecitam ser regadas como plantas, precisam de castelos (castelos de afeto) onde sejam tratadas como princesas. Marias precisam ser compreendidas, mesmo que isso seja possível apenas dentro do carinho de um olhar sem crítica, onde o que importa não é a objetividade, apenas o amor.
Marias são livres, Marias são encantadoras, Marias são a razão e a desrazão, Marias são o mistério da vida.
Amo-as todas, todos os dias, e enquanto estiverem ao alcance do meu braço eu as regarei, como uma grande comunhão, INFINITAMENTE.
1 João e Maria (Chico Buarque)
2 Poema em linha reta (Alvaro de Campos / Fernando Pessoa)
João e Maria
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Hoje
Não me olhei no espelho
Não vesti meu terno.
Apesar disso, me encontro.
Encontro um eu possível, um eu aqui, um eu de quem gosto muito.
Me encontro nos sorrisos que ecoam em minha lembrança
Nos sorrisos de três pequenas criaturinhas
Puras, felizes, mãos dadas nas ruas a cantarem coisas novas
Como cantavam minhas bisavós as coisas de seu tempo.
Hoje me encontro.
Me encontro comigo para visitar a mim mesmo
Hoje posso sorrir com a alma
Cantar com a força do trovão
Posso soprar esperança nos corações da china
Ou no daqui mesmo, deitado a meu lado.
Hoje sou feliz e me encontro.
Ou talvez, sou feliz por que me enconrto.
Me encontro...E feliz...
Hoje tenho em mim a certeza da vida
Trago o tangível a níveis etéreos
Transformo a metafísica do amor
Destilo todo o meu carinho num enorme lago
E marco bem o caminho pra poder voltar sempre.
Hoje tirei meu umbigo do centro do universo
E lá coloquei um livro infantil e um coração adulto
E a vida, então, levantou seu cálice e me convidou para um brinde.
Hoje é o melhor dia da história do mundo
E o primeiro... Do resto da minha vida!
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Afeto!
Existem sim, vários tipos de afetos. Afetos que se manifestam apenas por cruzar olhares, afetos por companheiros de jornada, pessoas que admiramos e que estão sempre ali ao nosso lado. Uma afeição se manifesta quando choramos com alguém ou quando rimos com alguém, ou até, certas vezes, nos dois casos.
E em ocasiões especiais esse afeto se transforma numa vontade incontrolável de fazer carinho, de olhar dentro dos olhos, de entrelaçar as mãos.
Um afeto chega de várias formas em diferentes lugares por diferentes razões. Não controlamos nossos afetos, eles simplesmente existem, ou não, e são vividos com intensidades proporcionais à afeição que eles têm por nós.
Um afeto grande pode estar sentado ao nosso lado no teatro, pode contar piadas que nos fazem rir sem nem bem sabermos de que. E aí começamos a descobrir beleza nos detalhes mais sinuosos das conchas, nos dias sem sol, nas noites sem lua... e quando lembramos do nosso afeto sentimos um certo entorpecimento que deixa os pensamentos leves, verdadeiramente azuis.
Que chegue então o afeto, e me molhe...
Como a Luz do Dia!
terça-feira, 20 de setembro de 2011
ImPossibilidades
Tentei, então, ouvir Chico, mas nem de longe alcancei tal glamour.
Busquei semelhanças em primos e tios, mas nem tão amorfo ou tão bem acabado.
Nos padrões de heróis de Homero ou vilões de Pessoa, nada encaixou.
Pensei então, ser eu um erro nos buracos do teto da casinha de chaves.
Foi quando vi a lua rompendo a sépia do ocaso.
Desisti de tentar encontrar quem sou.
Descobri; que quero apenas ser.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Hora de mudança!
Já dizia Pierre Bourdieu, e no cenário político cultural de nossa cidade atualmente, isso é absolutamente sintomático.
Precisamos parar com esse "conformismo lógico" e lutar por novas concepções. Não podemos mais aceitar essa produçao de subjetividade que só serve pra confundir e começarmos a entender realmente, quem é quem.
Encaremos a realidade: Estamos muito mal-servidos na classe intectual e é cada vez mais raro o aparecimento de pensadores que mereçam minimamente de respeito.
Não estou relativizando, mas apenas sugerindo que é a hora de olharmos para nossa sociedade com menos imediatismo e sim macroscopicamente. Precisamos de uma mudança radical nas bases do pensamento.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Vá, mas volte.
Viva muito, cante, erre também
Aposte, invente, mergulhe de cabeça
Precipite-se, desafie, subverta
Faça da sua vida essa grande aventura
Mas nunca, eu repito, nunca perca o caminho de volta!
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Amar se aprende!
Foi o que disse um grande poeta brasileiro.
E afinal, quem sou eu para discordar dele.
Mas concluo, mesmo que em prosa, dizendo que aprende-se muito mais do amor sofrendo, ou talvez não temendo sofrer.
No Budismo se diz que toda dor é proveniente do desejo de não sofrer. Então usando-se a lógica aristotélica concluimos que amar é um aprendizado de sofrer e que sofrer é um aprendizado de amar.
Mas é tão tolo aquele que busca lógica no amor, quanto o que teme sofrer por ele.
E assim vamos seguindo na busca deste maravilhoso e inexplicavel sentimento, infinito enquanto dura, até a próxima esquina...até o próximo encontro...até a próxima quinta...
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Viveram no lixo, morreram por causa do lixo e foram enterrados no lixo.
Com essas frases a minha companheira começou o dia, triste, decepcionada, até meio revoltada (o que não é do feitio dela), e me acordou para esse texto.
Rio da Copa? Rio das Olimpíadas?
COPA É O CACETE!
OLIMPÍADA É O CACETE!
Cidade sorriso?
SORRISO AMARELO!
A minha querida cidade é hoje do sorriso amarelo dos políticos, de declarações de "não sabia", "não tinha conhecimento", "não dá pra fiscalizar".
TRISTE, MUITO TRISTE!
Esse país não pode mais dormir da forma como dorme. Diziam que ele era um "gigante adormecido", mas eu considero que ele está mais para um "gigante em coma", pois ele não acorda nunca, não tem memória.
Há mais de vinte e cinco anos que esse tipo de coisa se repete, sempre, todos os anos, e as autoridades estão sempre surpresas. Como pode? É esse tipo de país que nós queremos?
As coisas estão passando dos limites. Não há um único sinal de luz no fim do túnel.
Como pode a população construir sobre as encostas de um "lixão" e as autoridades simplesmente dizerem que não tinham como impedir?
"Não dá pra fiscalizar", afirma um, "a culpa é deles", afirma outro.
A CULPA É DELES?... A CULPA É DELES?
Que é isso gente? A que ponto nós chegamos? Dizer que a culpa é do pobre coitado que morreu. Aonde isso vai dar?
Vamos decretar então, de uma vez por todas, a falência de todas as instituições.
O último a sair apague a luz.
Isso não é papo de sociólogo sentado em mesa de bar não. De jeito nenhum.
Eu estive há duas semanas atrás no fórum mundial urbano, onde foram exaustivamente discutidos esses problemas, e mostradas, de VÁIRAS formas, as soluções.
VÁRIAS SOLUÇÕES!
A longo, médio e curto prazo.
Mas isso não ganha eleição né gente? O que ganha eleição é trazer a copa pro Brasil, fazer Olimpíada no Rio.
Eu quero muito que vocês, meus amigos leitores, formadores de opinião, me ajudem nessa cruzada, nessa divulgação, nesse grito de protesto:
NÓS NÃO QUEREMOS MAIS ISTO!
Aqui, do nosso lado, pessoas viviam no lixo, morreram no lixo, e estão lá, enterradas no lixo.
Até quando?
Peço a todos os meus amigos que me ajudem a divulgar esse texto, e que façamos dele a nossa parte para o começo da mudança que queremos.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
A Dialetica do Carnaval
Sim? Não? Talvez!
Manhã de domingo, um lindo sol na nossa bela cidade, rumamos eu e minha companheira, que por sinal é uma foliã animadíssima e grande entusiata da festa de Momo, para a concentração de um bloco tradicional de nossa cidade, patrocinado por um político também velho conhecido nosso.
Passávamos por uma igreja bem próxima da concentração do bloco. Na porta um homem de meia idade, cabeça baixa respeitosamente, contrito ouvindo o fim da missa.
Usava uma camiseta do bloco.
Lá estavamos nós contagiados pela folia (eu pessoalmente adoro samba, e adoro sambar até não sentir mais as pernas) quando o patrono do bloco chegou e rapidamente transformou o palco numa espécie de palanque político.
Pediram então a presença da rainha de bateria que subiu ao palanque aos gritos (meus gritos) de "gostosa, gostosa, gostosa", numa espécie de ato de magia para distrair a atenção do público enquanto o truque é realizado.
E lá ia o patrono do bloco fazendo sua política para uma multidão distraída pelos encantos da festa: "Gostaria de registrar a presença de nosso vice-prefeito", "Gostaria de agradecer a autoridade tal pela presença", etc...
Em meio a muito marketing pessoal e articulação de aliados que mostravam suas caras no palanque, veio a notícia: "Acabamos de atingir a marca de 20 toneladas de alimentos doados".
Nesse momento também na minha frente estava aquele senhor de meia-idade, o mesmo da porta da igreja, falando gracinhas para uma bela morena que com certeza não era sua esposa, muito menos sobrinha ou coisa parecida.
Sou o mais ardente defensor de que todas as políticas públicas devam ser voltadas para que o assistencialismo não seja mais necessário em nossa sociedade, para que ele o mais breve possível seja apenas uma palavra no dicionário e não uma arma nas maõs de políticos populistas que se aproveitam das necessidades alheias.
Temos aí os Garotinhos e Hugos Chaves da vida, e, infelizmente, nosso próprio presidente que utiliza desses expedientes; e talvez nem precisasse.
Porém, há algum tempo voltei a conviver mais próximamente na comunidade onde cersci. Uma comunidade carente de muitas coisas, onde a baixa qualificação da maioria, e problemas culturais, reduzem a auto estima provocando um nível de desempregados e sub empregados um pouco maior do que a média.
Convivo com pessoas que saem de casa sem terem absolutamente nada na despensa e vão atrás de um muro pra pintarem, de uma faxina, de alguma espécie de lixo de metal pra vender no ferro-velho ou de qualquer outra coisa que lhes garanta os dez, quinze reais daquele dia, para o arroz, o feijão, o fubá e, em dias de sorte, a carne de segunda ou o frango.
Sim, são gurreiros!
Heróis e heroínas anônimos, conhecidos pela maioria de nós como dados estatísticos, e que eu conheço como Zé pintor, dona Arlete, Bojudo, Biluca, dona Ângela, Beth costureira, seu João cachaça além de muitos outros que hoje pra mim são rostos e nomes, que retratam essa realidade.
Mas em alguns dias...
Não há o muro nem a faxina. O lixo já foi recolhido. Não há uma cisterna pra limpar, uma calça pra costurar e nem mesmo um quintal pra varrer.
Esses heróis não batem na minha porta, e nem na de ninguém, pra pedir dinheiro.
Fico imaginando, como imaginou Djavan: "O que é não ter e ter que ter pra dar?"
Vinte toneladas de alimentos!
Será que são mais importantes do que uma boa escola? Do que cultura e cidadania para as populações carentes? Do que inclusão social, igualdade racial e auto-estima?
Minha resposta imediata é: Absolutamente não.
Mas nesses dias...
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Conclusões Inconclusas 3: "As Dúvidas"
O mundo não é exatamente o que gostaríamos que ele fosse, mas o local onde vivemos. O que ele nos dá, o que nos reserva, não está escrito em lugar nenhum, a não ser nas linhas que traçamos com nossos passos.
Penso quase sempre assim; chamam-me "sofista" ou protagórico, mas na verdade não sou. E justamente por isso. Minha vontade de moldar o mundo à minha visão me traz essa luta interna diária.
Hoje ao trocar um curativo no meu joelho, passei vários miniutos vendo o sangue escorrer e por um momento consegui enxergar minha circulação inteira. Vi como o sangue circula sem determinismos. Ele apenas vai, e vem e volta.
Eu não digo para ele circular, mas entendo como é belo que ele circule dentro de mim.
Curiosamente, nesse momento, um vento abriu a porta do meu quarto e eu vi os primeiros raios de sol do dia.
Respirei fortemente, mesmo sabendo que o ar estava ali, que não ia acabar. Naquele momento eu quis ser um pouco o ar e o sol.
Lá se foi o sofista...
Me lembrei de Fernando Pessoa e percebi que eu sou o ar e o sol. Mas mais do que isso, eu sou eu mesmo.
Minhas dúvidas fazem parte de mim, de quem eu sou hoje, de como vejo as coisas que me cercam, de como me relaciono com o mundo.
Às vezes as dúvidas são nada mais nada menos do que o mundo te dizendo: "Tenha um pouquinho de paciência".
Ao pensar assim, desconstruo doutrinas, desalojo os mestres, rasgo tratados que eu mesmo ajudei a escrever, desviro a ampulheta e me preparo então para o "recomeço" diário.
Sai de casa aliviado e nessa manhã percebi cores diferentes no meu quintal.
Tomara que eu as veja amanhã de novo...
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Rock'n Roll
Uma pessoa a quem amo muito vaticinou: “Não somos pedra”.
Sim, realmente não somos. Pelo menos aqueles que querem evoluir e aproveitar as boas lições que o dia-a-dia da vida nos traz.
Somos uma massa mutante e precisamos aproveitar ao máximo o pequeno intervalo de tempo que o universo nos reserva, o ultramicroscópico intervalo de tempo entre o dia em que nascemos e o dia em que iremos deixar nossa existência como seres humanos.
E quem são os afortunados que melhor aproveitam esse intervalo? Seriam aqueles que nasceram ricos e poderosos? Os que puderam passar suas vidas sem sacrifícios e saborearam os prazeres que a beleza do planeta e o conforto da civilização lhes proveram?
Não estou bem certo. Não creio em religiões, portanto acredito que só há uma forma de sobreviver após a morte, quando nossa obra é lembrada, quando nossas idéias são lembradas, quando nossa vida é lembrada.
De certo nisso eu acredito. Você deixa de existir como um ser humano e passa a existir como uma idéia, um exemplo, alguém que amou e foi amado, alguém que não teve medo de se arriscar.
Então por que não arriscar-se? Por que não amar? Por que não mudar?
Mudar faz parte da evolução, mudar é saudavelmente positivo, invariavelmente moderno, refrescantemente adequado.
Mudar, rolar, não ficar parado, movimentar-se.
Ah, querida... se todos fossem iguais a você...
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Conclusões Inconclusas 2: A Felicidade!
A lembrança desses momentos então continua gerando bons sentimentos e sensações prazeirosas por tempos não determinados até que por uma conjunção de fatores esses momentos felizes possam voltar a ocorrer formando o que eu chamo de "ciclo da felicidade".
2-) Felicidade é lembrar de uma determinada pessoa que me faz muito bem, ao lado de quem, tenho certeza: I will be happy.